História da Dança: Dança Livre ao Teatro de Dança – O expressionismo Alemão 1918

A guerra deixou um mundo em ruínas. Milhões de rapazes mortos e uma geração inteira destruída.
Os pintores do grupo “Die Brucke” e outros., Max Beckmann e Otto Dix, entre eles ficaram marcados para sempre e deram ao expressionismo alemão uma nova direção mais dura e agressiva e cheia de desespero. Notavelmente, a trilogia de Dix repleta de soldados mutilados, expondo a ruína do mundo. As trincheiras feriram a face da Europa, uma lesão psicológica que deixaria cicatrizes durante décadas. O dadaísmo foi formado em 1915, o ano da Batalha de Verdun. Seu culto provocativo pelo nada provocou uma onda de protestos nos meios literários e artísticos da Europa. Toda a miséria de uma Europa destruída estava embutida no discurso de Picabia. “A honra é comprada e vendida como uma nádega: Dada sente nada; é nada, nada, nada. Como suas esperanças, é nada, como seu paraíso é nada, como seus ídolos é nada, como seus políticos, nada.”
Laban Kurse – Laban voltou à Alemanha. Ele foi nomeado diretor do Balé Nacional. Foi seu primeiro cargo oficial. Após 1921 ele se mudou para Hamburgo e foi diretor de uma escola e companhia chamada “tanzbuhne Laban”. Foi nesta companhia que Kurt Jooss foi visto pela primeira vez. Ele ainda não era um dançarino. Mesmo assim Laban o inscreveu em sua companhia. Sua personalidade era mais forte que sua técnica. Logo Jooss se tornou seu colaborador.
Ele trabalhava dentro das escalas de Laban, e se concentrava na expressão do movimento. Foi nomeado coreógrafo de um teatro público onde conheceu sues futuros colegas, o compositor Fritz Cohen e designers Hein Heckeoth. Ele divulgou as teorias de Laban nos circuitos profissionais, e pela primeira vez introduziu o termo “Teatro Dança”, “Tanz Theater”.
Em 1927 com Sigurd Leider, criou um departamento de dança na Academia de Essen, o “Folswangshule”. Suas aulas integravam elementos do balé clássico. Na mesma época fundou sua própria companhia.
Em 1928 ele organizou o congresso dos dançarinos alemãs: ele acreditava que a dança deveria ter elementos de sua herança inclusive os clássicos, ao passo que Mary Wigman achava que as danças expressionista e clássica era incompatíveis. Wigman morava em Desden e criou uma escola e uma companhia. Ela continuou a usar o espaço como Laban lhe ensinara e acrescentou a este conceito a música de seu instinto e uso mais dramático dos gestos. O mesmo romantismo alemão era visto a coreografia de Wigman como nas produções teatrais de Max Rheinhardt e no cinema de Murnau, Fritz Long e Pabst. Os mesmos contrastes de luz, os mesmos gestos dramáticos, a mesma fascinação pelo irracional.
Após a derrota dos Espartacistas que haviam semeado a esperança segundo a revolução russa, as grandes cidades da Alemanha tornaram-se um centro de modernidade. No futuro, Berlim se tornaria uma metrópole, atraindo intelectuais e artistas, entre eles, Francis Bacon. A cada dia, novos teatros e cabarés surgiram. As pessoas se emocionavam com Anita Berber a “!Deusa da Morte” com um desespero elegante e se divertiam com Waleska Gerdt que levou sua sátira política ap palco contemporâneo. O dinamismo de Berlim na época foi retratado no livro “Alexanderplatz” de Alexander Doblin e no filme de Steinberg “O Anjo Azul”.
O ritmo frenético do início do século e seu interesse exagerado pela psique forma substituído por um desejo de clareza. A Alemanha seria reconstruída e isto seria feito usando os novos princípios da arquitetura da escola Bauhaus. Para seu primeiro diretor, Walter Gropius a arquitetura era tornar uma sociedade industrializada, doméstica e ele a integrava no dia a dia. Para os membros da Bauhaus os excessos da mecanização se tornaram material criativo. Desta aliança entre o homem e a máquina, nasceu a arte industrial.
Klee, Kandisnky e Moholy Nagy lecionavam na Bauhaus e também o pintor Oskar Schlemmer, fundador de uma companhia de balé incrível. Inspirado pela impessoalidade do fantoche, ele combinou a forma geométrica e o movimento abstrato no “Triadic Ballet”.
Wigman estava ciente desta tendência. Sua coreografia era caracterizada por gestos decididos, simples e estilizados.
Em 1929, ela entrou em uma nova fase com o grande afresco coral: “Totenmal”. Grandes massas de figuras eram levadas pelos palcos para criar uma performance completa e convulsiva. Era quase uma visão religiosa do teatro, através da qual a aspiração alemã pro algo maior que a comunidade começou a surgir. No início dos anos 30 a dança moderna tinha uma posição mais importante que o balé clássico na Alemanha. Isto era singular na Europa. Pela primeira vez uma dança experimental era seita no circuito oficial de teatros públicos e de ópera. Laban estava na pole. Seus alunos fundaram escolas em Venesa, Budapeste, Roma, Anvers. Os “Ballets Jooss” foram um sucesso na Broadway e a escola em Essen se tornou internacional. Wigman era diretora de duas escolas na Alemanha e uma de suas alunas fundou outro na América. Dançarinas treinadas pro Wigman divulgaram a dança alemã no mundo todo: Yvonne Georgi, Gret Palucca e Harald Kreutzberg que ligaria a força do expressionismo com o contraste do clássico.
Tags: dança, dança livre, dança teatro, história, Laban, Mary Wigman
Filed under: História da Dança
Loading...
Orkut Dicas de Dança