História do Sapateado – A evolução do Tap Dancing: Parte 1

julho 16th, 2009

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O Tap Dancing é um produto tipicamente americano que se desenvolveu a partir da fusão cultural entre irlandeses e africanos na América do Norte.

A primeira manifestação dessa linguagem aconteceu em Lancashire, Inglaterra, que nesse momento vivia o início da Revolução Industrial. Nos pequenos centros urbanos, operários costumavam usar tamancos para isolar a intensa umidade que subia do solo e, como forma de diversão, reuniam-se nas ruas, tanto homens como mulheres, para uma entusiástica competição onde o vencedor seria aquele que conseguisse produzir os sons e ritmos mais variados com o bater das solas no chão de pedra.

Essa diversão tornou-se tão conhecida que passou a ser chamada popularmente por “lancashire Clog”.

Por volta de 1800, os tamancos foram substituídos por calçados com solado de couro por serem mais flexíveis, moedas foram adaptadas no salto e biqueira para que o “sapato musical” soasse mais puro. Com o tempo, as moedas foram trocadas por plaquinhas de metal: os “taps”.

O encontro entre irlandeses e africanos aconteceu na vinda dos negros, na condição de escravos, para trabalharem no Novo Continete. Em 1739 na Virgínia, um grupo de escravos planejara uma revolta enviando mensagens a outros grupos através do som dos tambores, porém a revolta fora abafada e os africanos proibidos de usarem seus instrumentos. As palmas e batidas dos pés no chão ocuparam o lugar dos tambores mais só contribuíam para os cerimoniais.

O que havia acontecido em pleno oceano, se repetia em terra firme. Colonizadores freqüentemente faziam com que os negros lhes divertissem as noites e, uma das formas era numa espécie de jogo, o “Cakewalk”, onde escravos desfilavam satirizando o minueto. Como prêmio, era oferecido um bolo aquele que melhor imitasse a dança.

Com a proliferação dos teatros populares americanos. Muitas companhias resolveram botar o pé na estrada. Passando por várias cidades americanas. Lá pelos anos de 1830, Thomas Darthmouth Rice, numa temporada de verão em Kentucky, apresentou-se com um número inédito baseado na minuciosa observação que teve de “Jim Crow”, um dos negros que trabalha para o teatro. Crow tinha um caminhar desengonçado tanto pela sua idade avançada como por uma forte rigidez muscular numa das pernas e nos ombros. Enquanto trabalhava, costumava cantar uma cançãozinha que no final era seguida por três pulinhos muito dificultosos.

Partindo deste fato, Rice pintou o rosto de preto, vestiu um macacão azul de carregador e cantando a mesma canção, que ficou conhecida por “jump, Jim Crow”, dançou improvisando saltos e giros totalmente fora do convencional, logo, o artista branco de cara preta começou a despontar em massa pelos Estados Unidos dando origem aos famosos “Shows de Menestréis”.

A primeira troca efetiva de talentos entre brancos e negros aconteceu em 1840 quando escravos recentemente livres e imigrantes irlandeses recém chegados se espalharam por vários pontos de Nova York e, frequentando os mesmos salões de baile e cervejarias, começaram a trocar passos de “Irish Jig” e dança africana.

Somente em 1843 é que surgiu o primeiro grupo, formado por 4 músicos e dançarinos, os “Menestréis da Virgínia” que faziam um números chamado de barulhento devido ao som do sapateado nos palcos de madeira, mais o banjo, a rabeca, a castanhola e o tamborim. Esses artistas deram origem a vários outros, mantendo assim o Show de Menestréis vivo por mais de 40 anos.

Como a imigração continuava sendo estimulada, muitas pessoas vieram fazer vida nas Américas e o elemento alemão também veio em peso, fugindo da revolução que assolava a Europa em 1848. obviamente suas formas de expressão passaram a influir nas criações americanas como a “Waltz Clog”, dança folclórica parecida com a valsa, contribuindo principalmente com a graciosidade de seus movimentos que foram incorporados ao tom expansivo do sapateado de até então.

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