História do Sapateado – A evolução do Tap Dancing: Parte 2

A mulher só vai marcar presença nos palcos após a guerra civil, primeiramente por Kitty O’Neil, uma irlandesa muito talentosa que apaixonou o público com um sapateado macio, de influência germânica, além do que, o palco estava coberto de areia, produzido um som bem peculiar.
A ânsia pela novidade agitava a platéia já cansada de apresentações totalmente masculinas, começaram a surgir shows mais variados, mais coloridos e emocionantes: Nascia assim o “Vaudeville”.
Sua origem veio da mistura entre música, dança e uma levíssima pitada de tempero feminino. O que caracteriza o Vaudeville era a condição de homens, mulheres e até crianças poderem assistir o espetáculo sem problemas com a moral vigente. Alegre e inocente, o “Show de Variedades” dirigiu-se a um público que queria rir. Dificilmente os números ultrapassavam 10 minutos ou eram ligados a algum tema-chave. O marco inicial pertenceu a Tony Pastor que em 1881 montou um trabalho em 8 atos de comédia, música, dança e acrobacia.
Para muitos, o Vaudeville foi o início de carreira, funcionando como estopim para o surgimento de artistas individuais, contudo o racismo comia solto. Havia a ala de artistas brancos e a de negros. Este último existiu numa dimensão fantástica. Pouco antes da Primeira Grande Guerra, Sherman Duddiey, um comediante negro, fez contato com donos de teatros, criado uma associação denominada T.O.B.A. (Theater owner’s Booking Association), com a finalidade de organizar apresentações, principalmente no sul e sudeste do país. Por volta de 1920, o circuito T.O.B.A. abrangia mais de 300 teatros enquanto que o Vaudeville branco caia no esquecimento.
Desse circuito saiu gente muito boa como: Eddie Cantor e George Jessel, primeiros dançarinos profissionais, Pat Rooney, divulgador de 2 dos passos mais famosos do sapateado, o incrível King Rastus Brown, mestre de “Buck Dancing” que consiste no estilo de sapateado marcado pelo som de jazz e tantos outros. É importante ressaltar que o sapateado nasceu junto com o jazz-dance, porém, nessa época ambos alcançaram um nível elevadíssimo de qualidade, cada um na sua especialidade.
Apesar do Vaudeville ter feito sucesso até 1932, sua melhor fase aconteceu entre 1900 e 1920.
Desde a virada do século, outras expressões começaram a ameaçar o Show de Variedades. Além do mais, faltava a magia feminina que foi se concretizar somente com os “Teatros de Revistas” onde belas garotas exibiam suas formas, envolvidades em muito luxo e brilho. Em enormes filas, as mulheres dançavam tão igualzinho que até a altura que as pernas subiam era a mesma. Florenz Ziegfeld foi um dos maiores empresários a produzir esse tipo de espetáculo.
À princípio, os novos entretenimentos não se prendiam a nenhum tema especial, mas a partir de 1903, esse panorama mudou. George M. Cohan entrou em cena com as “Comédias Musicais”, unindo música e dança a um enredo geralmente baseado na vida do norte americano, o que provocou um forte sentimento nacionalista.
Em 1927 foi rodado o primeiro filme sonoro, estrelado por Al Jolson: “The Jazz Singer”. Nesse momento, Hollywood estava se tornando o máximo em combinar som e imagem, levando o sapateado ao conhecimento mundial através de estrelas como Bill Bojangles, Fred Astaire, Ginger Rogers, Eleonor Powel, Na Miller, Donald O’Connor e daí vai.
Bill, popularmente conhecido como o “Rei dos Sapateadores Negros”, começou sua vida de artista lá atrás, junto dos menestréis, mas só aos cinqüentas anos entrou para o cinema, contracenando com a pequena Shirley Temple. Gentil e paternal, essa figura chegou bem alto, desenvolvendo um sapateado tão bonito e espontâneo que acabou por torná-lo o primeiro superstar negro a fazer o sucesso nos palcos da Broadway, além de ter influenciado demais outros sapateadores como Frederick Austerlitz, mais conhecido como Fred Astaire que, aos 6 anos já traçava seu caminho no Vaudeville com Adele, sua irmã.
Tags: broadway, cinema, filme, Fred Astaire, Ginger Rogers, musical, tap dance, teatro
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